Entrevista sobre TIC com Francini Augusto
17:38Francini Augusto é jornalista da BandNews. A entrevista foi feita via WhatsApp.
- De forma geral, onde começar a buscar informações para escrever uma matéria?
Lá na BandNews as matéria muitas vezes partem de denúncias ou sugestões de pauta. Neste caso, conversamos com fontes, personagens e buscamos o máximo de informações que possam contribuir com o conteúdo abordado.
- Possui alguma metodologia para isso? Qual?
Um exemplo que aconteceu há pouco tempo: taxistas estavam dizendo que a guarda municipal estava multando o motorista que não estivesse com a vacinação em dia. A prefeitura negou, mas muitos denunciavam a ação. Ligamos para o atendimento da prefeitura e de fato informaram que a vacina "tríplice viral" era necessária. Sendo que a secretaria municipal de transporte apenas pode exigir a situação legal do veículo e não do condutor. Ouvimos a prefeitura, mostram que de fato havia um ruído na comunicação e ouvimos os taxistas. Você deve ouvir sempre todos os lados envolvidos na história. Lógico que nem sempre é possível, mas seu papel é buscar isso.
- Como organiza essas informações? Onde guarda e como acessa?
Um bom jornalismo tem uma boa agenda. Contato é tudo. E você vai fazendo seus contato e fontes com o passar do tempo. O importante é anotar tudo sempre, mesmo que pareça uma informação boba, talvez lá na frente você precisa pra alguma matéria. Chegamos a quase ser acumuladores, (risos) guardando tudo sempre que pode usar um dia na pauta.
- O que considera fontes seguras na Internet?
Fontes seguras basicamente encontramos em sites oficiais como prefeitura, governo do estado. O Google pode te ajudar a buscar um contato ou outro, mas não podemos nos basear em publicações ou números que não sabemos de onde veio. A internet é mais uma ferramenta que veio somar ao trabalho do jornalista. Mas não para fazer o nosso trabalho. O bom e velho telefone ou uma entrevista pessoalmente, o olho no olho, ainda é a melhor forma de conseguir informações.
- Ferramentas na web que ajudam na aquisição e organização da informação? E no celular?
Existem sites ou comunidades onde jornalista trocam figurinhas, como sugestão de fonte ou contatos. Hoje o Whatsapp faz bastante essa função, mas o primordial é sempre checar a informação. Por exemplo: saiu do globo que a Igreja da Candelária está pegando fogo: ali parte um ponto de partida, mas não é só pelo motivo de estar no jornal O Globo que podemos repassar a informação. Eles podem ter se confundido por exemplo, ou [era só] uma simulação de incêndio. Temos por obrigação ligar para os bombeiros para ver se foram acionados. Ligar para o local, para o comércio ao redor. E assim vai se construindo uma teia de informações que levam até a notícia.
- Desafios que surgem com as novas tecnologias?
Eu sou bem nova nesse meio ainda, aos 27 anos vejo que a tecnologia me ajuda hoje muito mais do que ajudou o meu chefe Boechat, por exemplo. Mas isso não significa que seremos melhores. Temos que ter a percepção que elas vem somar e não fazer nosso trabalho. O copiar e colar vem se tornado muito frequente em algumas redações. Nossa melhor ferramenta é o cérebro. Na hora que a bateria do celular acaba no momento da entrevista a boa e velha memória vai ajudar a compor o produto final. Não da pra confiar apenas num gravador. E se falhar? A gravação sumir? Você perde a matéria? Não pode. Um repórter não pode voltar pra redação de mãos vazias do jeito que saiu. Agora também somos muito mais cobrados. Hoje, quando saio para uma pauta eu preciso filmar, fotografar, entrar no ar ao vivo. Tudo quase que simultaneamente. Um profissional limitado não dá conta de tantas cobranças. Por isso precisamos nos atualizar e aderir a novas possibilidades sempre.
- Como é feita a seleção das matérias que serão publicadas e quem faz a escolha no veículo em que você trabalha?
Entrevista feita por Anna Beatriz Dias
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